Obrigado Pai! Eu não sabia que a vida contigo podia ser assim..

Agosto 20, 2014

Senhor, quero agradecer-te profundamente pela indescritível experiência do Teu amor que me proporcionaste nesta última semana e meia após o Retiro Espiritual em Siete Águas. Já te conhecia há muito tempo, graças à entrega de muitos irmãos meus, mas não tinha ainda entendido os níveis de profundidade do teu amor, bem como as consequências desse amor na minha vida, nem tinha ainda desejado responder radicalmente com a mesma generosidade. Sinto que não merecia este extâse místico de 10 dias, com vontade de chorar de alegria a todo o momento e sucessivos arrepios de prazer a percorrer-me o corpo várias vezes ao dia (apenas menciono isto para me lembrar no futuro da intensidade desta experiência Senhor). Não merecia e por isso te agradeço ainda mais, pelo dom gratuito de uma felicidade que desconhecia, e que tenho esperança que possa marcar um momento de viragem na minha vida.  Dou muitas graças por todos aqueles que puseste no meu caminho ao longo de tantos anos para que este momento viesse a ser possível, para que eu soubesse, em casa, no trabalho, nos transportes, nas pausas, na rua, em todo o lado, como é ser Teu filho por mais do que um instante. Para que eu soubesse que olhar como Tu, como um filho de Deus, renova todas as coisas e me fala de amor em tudo o que acontece. Daqui para a frente vai ser impossível querer viver sem ti Senhor. Ajuda-me a não deixar que isso aconteça, e a redescobrir, cada dia, como é bom viver tudo desde e para uma relação contigo. Ajuda-me Senhor a dar os passos que permitam que esta alegria perdure na minha vida e na vida daqueles com quem a possa partilhar.

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Ecologia espiritual

Agosto 14, 2014

Mt 9, 11-13
“Como é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?” “Jesus respondeu “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.”

Aquilo que fazemos com o nosso lixo material – reutilizar, reciclar, etc, porque não o fazemos também com aquilo que vai mal na nossa vida, as dificuldades, o sofrimento, as consequências do pecado?

Habitualmente tentamos pôr isto tudo para trás das costas para o tentar esquecer rapidamente da forma mais fácil como se deitássemos o lixo todo fora sem quaisquer preocupações ambientais. E esse nosso lixo vai acabar por prejudicar outros, seja por palavras, gestos ou intenções que têm raiz no facto de não gostarmos de nós próprios nesse momento.

Mas Jesus, que era ecológico, trouxe a solução para nós. Ele ensinou-nos a reciclar. Ao colocar tudo nas mãos do Pai e deixar que aquele Lhe convertesse o sofrimento em amor, Jesus mostrou o caminho.

O nosso lixo é precioso. Já que foi produzido, já que não o conseguimos evitar, estamos convidados a reciclá-lo, colocando-o no recipiente que diz “Lixo espiritual”, que é permanentemente colocado nas mãos de Deus para que o converta em Amor. É aqui que devemos colocar aqueles pensamentos àcerca de nós próprios que nos dizem que não valemos nada.

O que é decisivo porém, é acreditar que Deus pode fazer esta transformação, colocarmo-nos diante dele com humildade, pôr a nossa intencionalidade do seu lado, como quem quer ser seu amigo e quer desligar-se do seu lixo. Deus deseja loucamente que façamos isto.

E claro, às vezes a confissão ajuda.

Ajuda-nos Senhor a praticar este exercício espiritual no nosso dia a dia, sempre que o nosso ânimo esmorecer, e obrigado por tantas vezes em que na nossa vida já converteste as nossas pobrezas em amor.

Ser grande

Agosto 12, 2014

Ser grande

 

“Quem é o maior no reino dos céus?… Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino dos céus.” (Mt 18 1-4)

Ajuda-nos Senhor a ser mansos, humildes e sinceros como uma criança. E também curiosos, exploradores e atentos ao mundo que nos revelas, como uma criança o é com o mundo novo à sua volta e os seus brinquedos. E que tal como os sentidos das crianças se focam no movimento, na luz, nas cores e nos sons, assim os nossos sentidos se concentrem em buscar os indícios da Tua presença à nossa volta: nos outros, na Palavra, nos pequenos acontecimentos que nos falam de ti.

Obrigado senhor porque nos renovas o convite a que primeiro te entreguemos o nosso coração e depois vivamos tudo desde aí, em vez de nos pormos a excluir coisas da nossa vida para que lhes tomes o lugar, ou de nos pormos a fazer sacrifícios que nos levem a ti. O que tu queres primeiro é o nosso coração nas tuas mãos, e que tudo o resto venha depois, em segundo lugar. E no segundo lugar cabem muitas coisas se o primeiro estiver bem atribuído.

Que sejamos como as crianças pequenas Senhor, que antes de se lançarem a cada situação nova vão ao colo ou aos braços do pai, e depois, sabendo que ele está, então se atiram aos desafios. As crianças nunca deixam de saber quem é o seu pai, mesmo depois de um longo período de afastamento.

Obrigado senhor porque nos dizes que podemos viver unidos a ti sem basear a nossa felicidade em realizações. Que o teu amor por nós não depende do que fazemos, senão do facto de sermos teus filhos. As crianças não têm curriculum vitae Senhor, e não baseiam a sua auto-estima nele. As crianças baseiam a sua autoestima em que têm um pai e uma mãe que os amam. Ajuda-nos Senhor a ser assim também.

 

Amar como Jesus amou é decidir como Jesus decidiu

Maio 9, 2013

“Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei. ” (Jo 13, 31-35)

Decidir como Jesus implica ter uma vida, com planos, objetivos e ambições, e ser capaz de abandoná-los, adiá-los ou adaptá-los por influência ou troca com os projetos de Deus. Sem este diálogo entre a nossa vontade e a de Deus não há relação, não há troca, e não há decisões por amor como as dele.

É normal querermos algo diferente do que Deus quer. É sempre (ou quase sempre) assim. Aliás se não fosse não tínhamos nada para oferecer, para dar, de que abdicar. E é normal que Deus tenha em conta a nossa vontade, porque nos conhece melhor que ninguém. O que é preciso é falar com Ele, falar destas coisas. Estar atentos. Porque senão um dia as nossas vontades até podem coincidir e não o percebemos.

Como é que sabemos que isto é mesmo assim?

Porque foi assim com Jesus, o nosso mestre. No momento decisivo antes de entregar a vida, o seu amor foi uma decisão em diálogo com Jesus:

“Meu Pai, se é possível afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres” (Mt 26, 36-46)

Jesus tinha um plano, uma vontade, um desejo, que passava por, se possível, não ter de sofrer a morte, ou pelo menos aquela morte. Mas mostrou abertura, dialogou, deu importância à vontade do Pai (seja como Tu queres) e esperou pela resposta.

E a verdade é que depois de Jesus dizer isto 3 vezes, for ter com os discípulos e já tinha a sua decisão, por amor, e tomada com o Pai:

“O filho do homem vai ser entregue nas maõs dos pecadores”.

Esta decisão mostra-nos o amor com que estamos chamados a amar, não só pela decisão, mas pela forma como foi tomada. Estamos chamados a procurar mais este tipo de diálogo de forma a poder fazer de algumas pequenas inflexões de rumo – por atender à sua vontade – momentos de encontro com Ele.

Se apostarmos na relação, no diálogo, a vontade de Deus deixará de nos aparecer como uma espécie de imposição ou prescrição, mas antes como algo que descobrimos em resultado do diálogo com ele e em que podemos optar por lançar-nos como exercício de liberdade e amor na relação.

Ajuda-nos Senhor a exercitar esta forma de amar através das decisões, para podermos mais vezes experimentar um ânimo diferente naquilo que fazemos, porque o decidimos fazer contigo.

E se não fôr por acaso?

Março 21, 2013

“Jesus começou então a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido.”
Mt 11, 20

Às vezes passa muito tempo sem nos darmos conta da grandeza e da proximidade de Deus.

Talvez façamos algumas orações, talvez vamos à missa, talvez intuamos que Ele preferia as coisas de uma certa maneira. Mas no fundo, porque não aderimos, porque não o procuramos, não o sentimos próximo como sentimos a nossa mulher ou marido, os nossos pais ou filhos, um amigo ou um padre que nos acompanha.

Até que um dia Ele aparece.

Deus por vezes convida-nos, de forma subtil, a mudar o nosso caminho para ir ter com Ele. Pode ser, literalmente (já me aconteceu), uma porta que se abre inesperadamente, e que, em consonância com o que já estava na nossa consciência ou no nosso coração, nos faz acreditar que Deus convida a ir por ali.

A nossa fé também tem destas coisas, destes “milagres”, em que uma certa coincidência, entre o que está no nosso coração ou consciência e o que um pormenor do acaso parece sugerir, nos fazem sentir que Deus está, e nos acompanha de perto.

Talvez o acaso seja uma das linguagens de Deus, que mais do que dar receitas (o que seria perigoso de considerar) nos pode mostrar como Deus está perto e dá pequenos toques na nossa vida que em certos momentos podem ser um grande alento para a nossa fé.

Há mesmo um padre e físico inglês – John Polkinghorne – com textos interessantes a explorar, do ponto de vista científico, e supondo que Deus intervêm na realidade, ao abrigo de que leis da física é que seria mais provável que isso acontecesse.

Mas claro que nunca teremos uma prova de que Deus esteve por detrás de uma coincidência. Se assim fosse não haveria lugar para a fé.

É por nós não termos a certeza de que é Deus quem nos abre uma certa porta num estranho acaso, que a nossa resposta se torna um ato de fé, de relação, de liberdade. Entramos pela sua porta porque queremos, sem que seja evidente que só podia ser por ali. Porque a verdade é que se calhar também há momentos em que ignoramos os seus sinais, por decidirmos que são apenas estranhas coincidências.

Ajuda-nos Senhor a ser diferentes das cidades que Jesus censurou por não se terem convertido, após nelas ter realizado os seus milagres.

Se nós formos diferentes, as nossas cidades também serão diferentes

Gestão de Crises no Casal

Outubro 16, 2012

Quanto aos conflitos o que interessa é perspectivar uma possível espiritualidade para a prática, o que sugere uma repartição por 3 etapas: Prevenção, Gestão e Resolução

Prevenção:

1-O homem fala do que lhe vai no coração. Cuidar do nosso coração, fazer oração e reavivar a experiência de que Deus nos ama é a garantia de que as nossas palavras e gestos serão o reflexo da alegria e da paz que experimentamos – “Mas o que sai da boca provém do coração; e é isso que torna o homem impuro. (Mateus 15,18)”. Com isto viveremos mais felizes e zangarnos-emos menos.

2-Transformar/purificar o nosso olhar. “Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista?” (Mt 7,3) A questão não é tanto que deixemos de criticar o outro embora naturalmente o devamos deixar de fazer, a questão é sobretudo que passemos a valorizar os outros (e o outro) a toda a hora e instante por aquilo que faz bem. O reforço positivo é a melhor arma para prevenir o desânimo e o conflito. Ou então simplesmente a boa disposição, o humor, que transformam um ambiente. Temos de descobrir o prazer da boa disposição, experimentando-a, exercendo-a. Nós temos a sorte de ter um pretexto para rir e sorrir: Deus está vivo e ama-nos. Ninguém pode dizer que somos tolos ou inconscientes por passarmos os dias bem dispostos a rir e a sorrir. 

3-Filtrar as expectativas. Muitas vezes os conflitos nascem de obstáculos a expectativas que formámos – às vezes deixamo-nos guiar por expectativas que vão contra o nosso projecto de vida em casal, como uma expectativa de sucesso profissional que nos toma o tempo todo para sermos promovidos ou uma expectativa de levar a vida por um caminho que intuímos sozinhos sem diálogo de casal. A palavra de Deus ajuda-nos a perceber o que acontece nestes casos “Pois onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração (Mt 6, 21)”. Acalentar estas expectativas é deixar nascer um potencial conflito, porque no fundo já escolhemos o que queremos antes de o dialogar com Deus e o esposo. O que nos pode ajudar é aceitar apenas as expectativas que nascem do interior, rejeitando todas as outras que nascem do exterior. As expectativas que vêm de fora muitas vezes são formadas por modelos de sucesso que a sociedade promove mas que não são propriamente modelos de felicidade. Por outro lado, as expectativas que nascem de dentro são as que que têm raiz espiritual, isto é, as que nascem da relação (porque espiritualidade é relação), da relação com Deus e da relação com a nossa mulher ou marido. É importante que haja sempre uma outra parte na criação de expectativas. Por alguma razão Jesus enviava sempre os discípulos dois a dois. E se as expectativas nascerem do diálogo ou forem levadas a ele, já fazem parte do casal e do seu projecto, eliminando alguns daqueles conflitos mais difíceis de resolver, porque implicam o destino da família, já não é só decidir quem lava a loiça hoje. O que fazer então com as expectativas que nos vêm de fora ou que deixamos criar sozinhos? Prevenir é levá-las à oração e ao diálogo de casal, antes que se começem a tornar um projecto só nosso de que já não queremos abdicar.

 

Gestão:

1-Aceitar. Porquê eu, porquê nós? Será razão para desanimar e desesperar? Os conflitos só nos acontecem a nós? A resposta está em Emaús (Lc 24,13-35). A nossa relação com o marido e mulher é como a relação do homem com Deus. O episódio de Emaús ilustra o que se passa. Os discípulos tinham criado a expectativa (vinda de fora, lá está) de que Jesus ía resolver todos os problemas, tal como nós temos a expectativa (vinda de fora) de que o casamento seja perfeito, ou o outro seja perfeito. E às vezes (muitas vezes) damos por nós desanimados porque a realidade se mostra distante dessa expectativa. Felizmente Jesus põe-se no caminho de Emaús, e no nosso, explica-nos a palavra e ajuda-nos a recuperar alegria e sentido para a resoluçao dos problemas. A nossa história e a de toda a gente é feita disto e as crises podem ser oportunidades de reconhecer Jesus no caminho e deixar que ele nos ajude a crescer e ir mais longe. A diferença está em aproveitar ou não as oportunidades. Por isso o primeiro passo da gestão de um conflito será manter a esperança, vê-lo como uma oportunidade e começar a procurar Jesus.

2-Saber onde procurar para estabelecer prioridades. Decidir em função do quê: quais são os critérios para estabelecer essas prioridades? Onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração. Onde deve estar o meu tesouro, a que fontes vou procurar? José, perante a gravidez de Maria, situação muito séria que lhe colocou um conflito interior, atendeu a quem, escutou a quem para discernir o que fazer?Escutou-se a si próprio? (e por aí iria deixá-la), escutou a Deus através do anjo que lhe falou, ou escutou a sociedade pela qual difamaria Maria? (S. Mateus 1, 18-25). Graças a ter sabido a quem escutar Jesus teve um pai terreno.

 

Resolução:

1-Qual o segredo que a palavra nos mostra? Há alguém muito próximo que nos aponta o caminho de resolução de qualquer conflito ou crise em casal. Falando ainda de expectativas, Jesus no Monte das Oliveiras, na véspera da Paixão, tbém tinha uma expectativa: a expectativa de não sofrer (não era pedir muito). E esta expectativa, em lugar de a tomar como um direito adquirido, dialogou-a com o pai – o outro da sua relação. Ele disse “Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 39-42). E por amor pelo Pai e por nós Jesus dispôs-se a abdicar da sua expectativa. Há outra leitura que nos aponta o caminho e reforça esta ideia: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24) Morrer é abdicar da sua expectativa sobre as coisas e adoptar a expectativa do casal e do outro em vez da nossa. Se calhar já sabíamos que isso resolveria o problema mas não temos forças para dar o passo necessário – o de morrer para nós, e isso acontece porque não prestamos a devida atenção – não acreditamos na 2ª parte da frase: “se morrer, dá muito fruto”. Esquecemos de focar no positivo: o fruto de ter o gesto de amor que resolve o problema. Focamo-nos só no que perdemos, que é menos do que o que ganharemos. Amar é aceitar a dôr presente e ser mais que o futuro que se sabe perder.

2-E se ainda assim não há solução à vista, ou se insistirmos em ter medo do futuro depois de morrer para as nossas expectativas, incapazes de ter fé no fruto que virá? Muitas vezes as soluções para os problemas ou o fim da dor de os ter resolvido da maneira mais difícil para nós são-nos trazidos pela própria vida de maneira imprevista, mais tarde. Isto se nos mantivermos no rumo certo. Por isso é muito importante um exercício de recordar quando é que Deus nos devolveu pela vida alguma coisa que fosse o fruto de termos abdicado. – TPC. Ex: sempre hesitei em sair para um trabalho que me realizasse mais – mais criativo – mas resolvi permanecer por intuir – com Deus – que era esse o melhor caminho. Passados alguns anos – recentemente – essa oportunidade de trabalho mais criativo começou a surgir como fruto da minha opção de permanecer. Se optarmos pelo amor, Deus sabe, melhor do que ninguém, o que é que nós queremos e gostamos e acabará por dar-nos oportunidade de o realizar. Temos é de estar atentos e fazer o nosso caminho entretanto.

3-O perdão. A solução de muitos conflitos é o perdão. Até aqui falámos dos conflitos em que um quer uma coisa e o outro quer outra. Aqui falamos dos conflitos em que um fez algo que maguou o outro originando a crise. Sobre isto não sei se haverá muito a dizer. Há o trabalho de prevenir e nesta fase é o trabalho de perdoar. Jesus ensinou-nos a perdoar. A ovelha perdida (Mt 18, 12-14) A mulher adúltera (S. João 8, 1-11). Gostaria ainda de  introduzir uma distinção entre os pecados do fazer e os pecados do ser. Os pecados do fazer são os daquilo que fazemos ou deixamos de fazer e só o perdão os cura, mas existem os pecados do ser que são aqueles em que decidimos construir a nossa vida por caminhos que no fundo sabemos que não são os melhores, é o pecado de desistir, de dizer por ex: que como não consigo vencer este pecado do fazer então passo a deixar que essa atitude me constitua porque ela deixa de estar errada. Estes pecados, que resultam também da acumulação dos outros, têm uma diferença importante, é que nós podemos corrigi-los. Nós podemos decidir o que é que fazemos com a nossa vida e corrigir o rumo, sem mascarar a verdade. Os tempos de oração, reflexão e partilha em casal são aqueles em que podemos fazer esta inflexão.

4-O que eu posso fazer. Normalmente nos conflitos, ninguém tem a razão toda. E cada um centra-se no que o outro tem de mudar ou ceder para  resolver o problema. Mas e recordando a anterior leitura de “Porque reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista?” há uma alternativa melhor. Naturalmente que nós só nos podemos mudar a nós e  ao nosso ponto de vista, portanto a mudança é perguntar “Estarei eu disposto a, por amor, mudar em mim o que outro espera, ainda que não concorde?” As leituras anteriores dão-nos pistas sobre onde encontrar ânimo para este desafio. A verdade é que se nós tivermos a coragem de mudar, o outro, provavelmente, mudará também como gostaríamos, em resposta ao nosso amor.

 

 

Duas formas de dizer sim

Outubro 4, 2012

“Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.“

 Tal como sucedeu com Maria, Deus deseja que continuamente renovemos o nosso consentimento a que a nossa vida seja expressão da sua vontade e da sua palavra. Isso pode parecer-nos improvável como pareceu a Maria porque são muitas as fragilidades que nos fazem sentir indignos dessa atenção e incapazes de lhe corresponder. Mas como se viu com Maria, a confiança Naquele que tudo pode é suficiente para se lançar num caminho que dá muitos frutos, independentemente da situação em que nos encontremos.

 Peçamos Deus a coragem de lhe dizer sim e que nos conceda a graça de, na nossa vida e nas nossas circunstâncias, se poder realizar o milagre da doação a Ele e aos outros.

 Mas às vezes pode ser que nos falte a pergunta da parte de Deus, a pergunta à qual o nosso sim possa ser resposta. Pode ser porque não o escutámos o suficiente, ou porque não discernimos o que é que nos pedia. Ora em qualquer relação pessoal a iniciativa é para repartir entre os dois intervenientes, neste caso entre nós e Deus. Assim, em alternativa a responder a um desafio da Sua parte, ter a iniciativa de dar um passo para converter um aspeto da nossa vida, consagrando-o mais a Deus, pode ser uma outra forma de dizer sim. Se o fizermos, estamos a dizer que sim a Ele de uma forma criativa. Fomos nós que pensámos e pusemos em prática o que é que lhe poderia agradar.

 Esta iniciativa ao serviço do sim pode ser, para nós, uma fonte de libertação. Em vez de esperarmos (e às vezes desesperarmos) que Deus nos ”indique” o caminho de forma prescritiva, podemos nós pensar, a partir do que gostamos de fazer e do que são os nossos dons, como é que eu posso pôr isto mais ao serviço de Deus, deixar que ele transforme mais este emprego de tempo da minha vida dando-lhe outro sentido.

 Deus acrescenta o sentido e a motivação que às vezes nos falta para as coisas que temos, ou pretendemos, ou gostamos de fazer. Se tínhamos dúvidas de que era algo válido, com a transformação que ele traz aos nossos projetos, deixamos de as ter.

 O emprego da iniciativa e da criatividade já por mais de uma vez me salvaram de algumas “tentações” por me apontarem uma alternativa apetecível de utilização do tempo a que Deus empresta o seu toque especial. Um exemplo foi a descoberta que fiz este Verão de que conseguia compor uma música simples, e que, já que o conseguia, porque não fazer uma letra que seja uma oração e que possa acrescentar ao cancioneiro lá de casa. Esta pequena transformação ajudou-me a aspirar não a uma presença nos ídolos (teria poucas hipóteses…) mas a fazer desse espaço de divertimento uma oportunidade de relação com Deus.

 Ajuda-nos Senhor a focarmo-nos no positivo que vais fazendo em nós,  e a arriscar ampliar essa experiência, deixando que tu emprestes o  teu toque àquelas coisas que gostamos ou temos que fazer mas em que tu ainda não entras.

Leves para o caminho

Maio 29, 2012

“Chamou os Doze, começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes poder sobre os espíritos malignos. Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto; que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas. E disse-lhes também: «Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela até partirdes dali. E se não fordes recebidos numa localidade, se os seus habitantes não vos ouvirem, ao sair de lá, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.» Eles partiram e pregavam o arrependimento, expulsavam numerosos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.” (Ev Mc 6, 7-13).

Esta palavra de envio dos apóstolos é uma oportunidade para revermos e relançarmos a nossa vida de relação com Deus e com os outros. Também nós fomos enviados ao mundo, possivelmente dois a dois na vocação do matrimónio. Que não levemos nada para o caminho parece ser um apelo ao desprendimento e à confiança em que Deus nos dará o que necessitamos. Mas sinto um chamamento a interpretar essa indicação também de outra forma. Nós (ou pelo menos alguns de nós) podemos ter tendência a achar que para fazer o papel de discípulos temos de levar uma vida exemplar e que qualquer mancha no pano da nossa vida ensombra irremediavelmente esse papel, inibindo-nos de assumir a missão porque não estamos à altura.

Este apelo a que não levemos nada de mais para o caminho parece também ser um convite a mudar essa visão e assumir o que somos sem mais nada, dispensando quaisquer requisitos adicionais, vendo a virtuosidade cristã como um apetrecho desejável pelo qual devemos lutar e nunca um obstáculo por acharmos que ficamos aquém.

E que aquilo em que conseguimos ser fiéis não seja uma forma apenas de melhorar o conceito que temos de nós próprios – este será mais um cajado extra que Jesus nos convida a dispensar – mas que seja sobretudo uma forma de estarmos gratos por aquilo que Deus faz em nós apesar da nossa pequenez.

Jesus convida também à permanência, a ficar na casa em que entrarmos até partir. Permanência nas circunstâncias de vida. Que tanto quanto possível não fujamos das dificuldades que precisamos de vencer para crescer. É como se Jesus nos dissesse que para mudarmos por dentro não podemos mudar por fora, aceitando essas circunstâncias tantas vezes difíceis em que Deus está apesar de nem sempre o vermos.

E quando as coisas não correm bem, quando apesar de pormos o que podemos da nossa parte os outros não correspondem ou somos mal sucedidos? Neste caso Jesus convida-nos a não olhar para trás e a partir para outra sem demoras. Talvez pareça pouco cristã esta despedida mas se pensarmos como desanimamos sempre que nos parece que algum gesto bem intencionado foi em vão ou foi utópico compreendemos que não é bom para nós duvidar da eficácia de algum bem que tentemos fazer. Talvez por isso nos ajude este partir para outra sem demoras, que não nos deixa espaço para lamentos.

A vida de hoje e os discípulos de hoje não são como os de antigamente, mas esta palavra parece manter a mesma actualidade porque nos fala de como viver a vida – a nossa e não a dos outros – que é o verdadeiro espaço de evangelização. Ajuda-nos Senhor a ter presente que se vivermos mais unidos a ti muitos irão beneficiar dessa aliança. Recorda-nos Senhor o teu amor e ajuda-nos a discernir os melhores caminhos para cada dia.

Renascer é possível

Abril 16, 2012

Entre os fariseus havia um homem chamado Nicodemos, um chefe dos judeus. Veio ter com Jesus de noite e disse-lhe: «Rabi, nós sabemos que Tu vieste da parte de Deus, como Mestre, porque ninguém pode realizar os sinais portentosos que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.» Em resposta, Jesus declarou-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer do Alto não pode ver o Reino de Deus.» Perguntou-lhe Nicodemos: «Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura poderá entrar no ventre de sua mãe outra vez, e nascer?» Jesus respondeu-lhe: «Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

Tal como Nicodemos nós sabemos que Jesus veio da parte de Deus, pelos sinais que realizou, e também tal como ele não percebemos, ou não acreditamos, que possamos nascer de novo. Jesus para nós tem um grande poder mas ainda assim não o suficiente para nos transformar. Parece que conhecemos bem demais os nossos defeitos e limitações a ponto de nos fazerem perder a esperança em como podemos renascer. Mas Jesus não desiste de nós e convida-nos a nascer não de uma forma que nos livre das nossas imperfeições mas a nascer ou renascer do Espírito, que nos pode ajudar a ver como Deus nos ama nelas. Aumenta-nos Senhor a fé em como podemos renascer se retomarmos ou aprofundarmos a relação contigo.

O sim que faz a diferença

Março 26, 2012

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

Tal como sucedeu com Maria, Deus deseja que continuamente renovemos o nosso consentimento a que a nossa vida seja expressão da sua vontade e da sua palavra. Isso pode parecer-nos improvável como pareceu a Maria porque são muitas as fragilidades que nos fazem sentir indignos dessa atenção e incapazes de lhe corresponder. Mas como se viu com Maria, a confiança Naquele que tudo pode é suficiente para se lançar num caminho que dá muitos frutos, independentemente da situação em que nos encontremos.

Dá-nos Senhor a coragem de te dizer sim e concede-nos a graça de na nossa vida e nas nossas circunstâncias se poder realizar o milagre da doação a ti e aos outros.